sábado, 10 de octubre de 2015

YAKOV POLONSKY [17.204] Poeta de Rusia


Yakov Polonsky

Yakov Petrovich Polonsky (ruso: Яков Петрович Полонский 18 de diciembre [OS 06 de diciembre] 1819 - 30 octubre [de OS 18 de octubre] 1898) era un poeta líder Pushkinist  que trató de mantener las tradiciones de decadencia de la poesía romántica de Rusia durante el apogeo de la prosa realista.

De noble cuna, Polonsky asistió a la Universidad de Moscú, donde se hizo amigo de Apollon Grigoriev y Afanasi Fet. Tres poetas jóvenes y prometedores escribieron poemas agradables y elegantes, emulando a Pushkin y Mikhail Lermontov. Se graduó en la universidad en 1844, publicó su primera colección de poemas el mismo año. La poesía temprana de Polonsky es generalmente considerads como la mejor; uno de sus primeros poemas publicados incluso fue copiado por Nikolai Gogol.

A diferencia de algunos otros poetas rusos, Polonsky no pertenecía a una familia acomodada. Con el fin de mantener a sus parientes, se unió a la oficina del príncipe Vorontsov, primero en Odessa y después (1846 hasta 1851) en Tiflis. La espectacularidad de la costa del Mar Negro fortaleció su predilección por el romanticismo. Polonsky centró su atención en los temas y las descripciones de la naturaleza exuberante de raza blanca, se trató de la manera que recuerda a Lermontov (aunque también escribió parodias de sus poemas). Las escenas nocturnas le atrajeron especialmente; de hecho, uno de sus mejores poemas conocidos se llama Noche de Georgia.




Otro invierno

Recuerdo que de niños —rojas nuestras mejillas—
corríamos los dos por la nieve crujiente.
Nuestro amigo el invierno, con manos sarmentosas,
después de acariciarnos nos empujaba al fuego.
Y luego, por la noche, te brillaban los ojos
y en ellos se miraban las llamas de la estufa.
Y la vieja nodriza nos contaba la historia
que sucedió una vez a un niño revoltoso...

Pero pasó el invierno, llegó el riente mayo;
apagó sus ardores el estío.
Se escuchan otra vez los vientos del otoño
y otro invierno se acerca; despiadadas
amenazan sus manos sarmentosas...

Pero ya la nodriza en su tumba reposa
y ni siquiera ve que tú, cansada,
te apoyas en mi pecho
igual que si quisieras oír mi corazón,
pareciendo entender lo que te dice...
Y como la nodriza, en esta noche,
sensible a tus caricias infantiles,
ha avivado las llamas y te cuenta
en voz baja, al oído, aquella historia
que sucedió una vez a un niño revoltoso...

Yakov Petrovich Polonsky, incluido en Poetas rusos del siglo XIX (Ediciones Rialp, Madrid, 1967, selec. y trad. de María Francisca de Castro Gil).





Tradução da obra poética de Yakov Polonskyj,
do russo para o português, por Mykola Szoma




Ao А. А. Fet

Não, jamais esquecerei aquela chama de fogo matinal,
 A que nós acendemos durante a nossa primeira travessia,
 Lá nas florestas, onde cantaram e soluçaram os rouxinois,
 E todavia passou o nosso maio — e terminou seu tempo. 
Ó, esses rouxinois!.. De quantas bençãos foi aquele ano
 Da pátria de viburnos e de abetos foram exilados
 Para a terra na qual não há espaços nem para as nevascas.

Ali, onde mais quente é o sul e mais claro é o leste,
 Ali, onde as espumas são mais velozes e com murmúrios adocicados
 Deslisam silentes por sobre as preciosas pedras dos regatos,
 O vento esparrama o perfume das rosas, respirando o aroma,
 Enquanto no inverno da nossa primavera esfriou até o vestígio,
 Ali — estão aqueles rouxinois. E com eles, o próprio Fet…

Compreendeu ele em seus momentos de sábedoria que,
 Se os anos nos conduzem sempre ao inverno, então
 – Retornos à primavera jamais queiramos ter,
 E — decidiu voar, seguindo os rouxinois.
 Eis que me sinto intrigado: Nosso poeta, o rouxinol,
 Amante de rosas perfumadas e de suas folhagens,
 Encontra-se encoberto. Áquela primavera canta saudações. 

Ele venera a beleza e os encantos. É um enamorado
 De estrelas e de tempestades, que acorda os sonolentos ares,
 E de nuvens cinzas, e daquelas distâncias taciturnas,
 Para onde se trasladam os pensamentos, e as consternações,

O bando de fantasmas extravagantes e surpreendentes,
 O leve suspiro de rosas perfumosas.
 Encantadas meditações as nossas dores não conhecem:
 Nem todos os males do dia, nem os pensamentos perturbados,
 Nem as preocupações, nem as mentiras,
 – Em relação a tudo exacerbadas,
 Nem derrotas, nem virórias.

Sempre aquela chama, que nós um dia acendemos,
 Não se apaga nunca para ele e, no crepúsculo do ocaso,
 Ele vislumbra da noite os espectros, que conduzirão
 A sua sussurrante discussão das matas para o exílio.
 Ali miriades de estrelas navegam sem cobertura,
 E aqueles rouxinois lá cantam e soluçam suas canções.




Alegoria     (Аллегория, 1876)

Sou viajor — As sombras me perseguem.
 Eu as vejo durante as noites; E luzes,
 Ao meu encontro, como que me acenando,
 E de repente, como que ventos soprando
 Apagam o brilho seu. E tudo se perde.
 – Será que ali uma estação me espera
 Num qualquer cantinho apertado seu?..

Pois bem!.. Eu sei com antecedência –
 O cocheiro descerá da boléia,
 O sendeiro cansado será desatrelado,
 Também, com o tremeluzir do abajur,
 Num húmido silenciar mergulharão-me.
 Dirão: Deita-te, nosso querido. Eis
 O teu leito de madeira. Durma o sono…

E se, como eu previra que a paz chegasse,
 Eu não quizesse — deitar-me para dormir,
 Então gritasse: “Força, velho encanecido,
 Permita-me que ainda possa cavalos trocar!
 Ouças então… Não queiras atrelar o rocim
 – Cavalos audazes, se eu pudesse galopar
 Então eu poderia os que passaram alcançar. 

Se de novo eu pudesse contra o peito apertar
 Tudo, o que de nosso, o ano ruim açambarcou:
 A liberdade — a juventude — e o amor, –
 Para que, quando incendiado o leste todo,
 Fosse me aberta a distãncia — Que o dia novo
 Pudesse dispersar, desta noite, as trevas
 Que não assim, como fizeram essas luzes”.




É linda a nossa varanda  (Как у нас хорошо на балконе)

 Ó, como é linda a nossa varanda, meu querido! Veja –
 Lá em baixo o lago que brilha, refletindo as estrelas azuis;
 Ali o cisne branco se acalentando, nos braços do seu ambiente,
 Não se distanciando dele, tal como eu e você, meu amigo, comigo…
 Quantas vezes você me queira explicar, que o ambiente próprio seu –
 O mundo, e não do sol o calor, e não o meu peito jovem!
 Tantas vezes, com você, eu não vou concordar.




Branca noite     (Белая ночь, 1862)

Para longe foi dispersa a fumaça, soprou um frescor matinal.
 Sem sombras da noite, sem lampiões de esquina, sobre o pálido Neva
 A noite branca avança — apenas se avista a cúpula dourada
 Por trás dos palácios cinzentos, sobre a colunata circular,
 Como se uma coroa mortuária pairasse frente à lâmpada votiva,
 Que tremeluzindo, se destaca nas frias e silentes alturas.
 Responda-me, ir para onde em busca da felicidade, do deleite,
 Responda-me, por que estás bravo assim, meu amigo camarada?!
 Eis aí — um obscuro monumento erigido sobre o granito…
 Ou talvez um pensamento — sendo oprimido, teu
 Na busca de uma salvação numa comiseração envenenada,
 Tal como esta serpente de bronze
 Sob o cavaleiro de bronze, espremida pelo casco
 Do seu cavalo galopeador…




Beda, o pregador    (Бэда-проповедник, 1841)

Era tarde; Vestindo um traje amaçado pelos ventos,
 Caminhava, pelos atalhos campeiros, o cego Beda;
 Um seu braço apoava-se sobre o ombro de um menino,
 Pisava cuidadosamente por sobre os pedregulhos do caminho,
 Ao redor, parecia ser tudo estranho e tudo silente,
 Erguiam-se apenas os seculares pinheiros,
 Sobressaiam-se apenas tons cinzas de rochedos,
 Vestidos de úmidos e peludos musgos. 

O menino sentiu cansaço; desejou bagas frescas,
 Ou talvez, simplesmente quis o cego enganar:
 “Starik! — disse ele, — Eu vou um pouco descançar;
 E tu, se o quiseres, inicies tua palavra a pregar;
 Lá dos altos, já te viram os pastores…
 Alguns dos anciães à beira da estrada se postaram…
 E mais além, mulheres e crianças! Fales lhes de deus,
 A respeito do seu filho, na cruz por nós crucificado”.

O rosto do starik ficou radiante de repente;
 Como se uma nascente irrompesse de camadas rochosas,
 Dos seus lábios empalidecidos, vivas ondas fluiam –
 Palavras de rica linguagem, de profunda inspiração,
 Palavras tão sublimes sem fé, jamais haveria. Não!
 Ao cego parecia os ceus se manifestarem em glória;
 Ele levantava as suas trẽmulas para o alto,
 As lágrimas, dos seus olhos apagados,
 escorriam pelas pálidas faces.

Mas eis que a aurora dourada já está se extinguindo
 E raios pálidos da lua por entre os montes se infiltram,
 Por entre as frestas imiscui-se a noturna umidade,
 Mas eis que — o pregador pregando ainda, ouve uma voz
 – Era o menino o chamando; Dando risos e empurrando:
 “Por hoje, basta!.. Vamos andando!.. Ninguém mais há!”
 Calou a voz o velho starik. Meneou a cabeça.
 Assim que ficou calado — De um extremo a outro,
 Ouviu-se: “Amen!”. Estrondearam as rochas, em resposta.




Para album de K. Sh…  ( В альбом К. Ш…, 1865 
                                                                Караманович Шалва)

Um Escritor, somente se for só ele,
 Será tão só uma onda; Mas já um oceano
 Será a sua pátria — a Rússia;

Jamais será, sem nunca se indignar,
 Quando indignada se mostrar a natureza,

Um Escritor, somente se for só ele,
 Será o nervo vestíbulo-coclear de grande povo,

Jamais sentir-se-á não derrotado,
 Se do seu povo for derrotada a liberdade (de novo).

Bendito o poeta encolerizado
( Блажен озлобленный поэт)

Bem-aventurado seja o poeta encolerizado,
 Mesmo que seja ele moralmente mutilado,
 Coroa de louros e honras sejam lhe dados
 Pelos filhos do século exacerbado. 

Como um gigante ele agita as trevas,
 Querendo achar saidas, fresfas de luz,
 Não acredita mais nos homens, mas à razão,
 E dos deuses nada espera por solução.

Com as estrofes de suas profescias
 Ele perturba o sono dos homens do poder,
 Embora o próprio sofra sob o jugo
 De evidentes contradições em contraluz.

Com todo o ardor e ímpeto da sua alma
 Amando, ele não se mascara para ninguém
 E por nada, por que se vender possa –
 Ele não se troca, por nada, com alguém.

O veneno está no íntimo de suas paixões,
 A salvação — na força da própria negação,
 No amor — a nascente para as suas idéias,
 Nas idéias — a saída para os sofrimentos.

O grito seu involuntário — o grito nosso.
 As suas vilanias — são nossas vilanias!
 Juntos com ele, bebemos nós da mesma taça,
 Como se um de nós foi exilado — E é maior.
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Na sala de visitas    (В гостиной, 1844)

 Na sala de visitas, junto à mesa,
 estava sentado o meu velho pai,
 Sobrancelhas fechadas,
 semblante austero, permanecia em silêncio;
 Uma velha senhora,
 trazia uma mal ajeitada touca na sua cabeça,
 Cartomante era ela;
 Ele, paciente, ouvia os murmúrios dela.

Mais distantes um pouco,
 em silêncio, falando consigo próprias,
 Duas mulheres gorduchas,
 sobre um divã macio estavam acomodadas,
 Duas mulheres gorduchas,
 com os seus olhares me perseguiam
 Os lábios mordendo,
 com um sorriso zombeteiro
 olhavam curiosamente o meu rosto. 

Num canto escuro, de olhos azul claros,
 permanecia cabisbaixa uma loira. Sentada ali,
 ela não ousava levantar os seus olhos.
 Sobre as pálidas faces suas
 tremeluzia o brilho de uma lágrima,
 Sobre o seu peito em brasas,
 para o alto cobrindo a cabeça, havia um lenço.




Sobre o sonolento mar 
(… когда над сонным морем, 1876)

Nos dias, em que sobre o sonolento mar
 O calor sufocante e o silêncio dominam,
 Pelos espaços enevoados das vastidôes,
 As ondas quase não se balançam.

Se por acaso respira-se a voragem
 Da ventania ameaçadora em seu vigor,
 As ondas ameaçadoras ferverão mais
 Do que as nuvens das chvas de verão.

E levarão, como se para batalha fora,
 O cavalo enfurecido pelas esporas,
 Refletindo nos respingos das espumas
 O brilho dos raios solares da lua.

E esparramando-se por sobre os rochedos,
 Estraçalhando, pelas costas beira-mar,
 O agitado balancear das pelagens
 Dos rumorejantes — à beira-mar, caniços.




Na penumba de outono
(excerto)       --      (В осеннюю темь)

 As tardes são todas brumosas –
 As rochas umedecidas mofaram;
 Não das florzinhas cor-de-rosa,
 Nem das folhagens de bétulas,
 Nem das cerejas orvalhadas à noite,
 Exala dos ventos, nas matas, o frescor –
 Sopram os ventos em nuvens condensadas,
 Esparramando frgrâncias de tílias — caídas,
 Ou de pilhas de folhas de papel molhadas;
 E o silêncio — sussurrando, nos assusta.
 Somente ali, além daquele rio vasento,
 Existe alguma coisa má e impetuosa
 Pela floresta, com um ruido estranho, correu,
 Parecia até que da morte um susto levou…
 Ora, o que há comigo!.. Alguma coisa de salvável
 Ou, ao menos e simplesmente de consolável
 Aguardar da floresta a escuridão,
 Para o sono frio de um extasiado?
 Pois que um outro, aqui de mágoa se afogue!..
 O coração ainda pulsa. Almeja viver…
 Um sentimento secreto, primaveril,
 Que seja mais corajoso e mais sincero –
 Que eu liberte a própria amada,
 Sufocada pelas linguas maldizentes!
 Seja ela — a minha bela,
 Uma órfã e jovem sem dote –
 Casou-se forçada com um beberrão…
 Ó, bebum! Eu te conheço, sanguessuga
 Tu és meu mortal inimigo!
 Tu a compraste baratinho, –
 Mas eu a tomarei não por menos –
 Nada de bom esperes… Não!




Na escuridão    (В потемках, 1892)

Acordei somente eu e — tendo percebido mui precisamente,
 A escuridão profunda ao derredor e — não havia nenhuma luz.
 E ouvi o coração, batendo ao som de whisky… Eu me apavorei.
 Até pareceu que eu era um asno! Não via coisa nenhuma,
 Não via janelas, não via parede, nem via a mim mesmo!..
 De repente, por entre a surda e não correspondida penumbra,
 Ali, onde as dissimulantes cortinas encobrem as janelas,
 Com muita dificuldade consegui divisar uma turva mancha –
 De luzes de um ceu noturno… como uma faixa bastante visível.
 E esse ínfimo de brilho já me bastou, para que pudesse entender,
 Que eu ainda não estava cego e que, embora nessa escuridão toda,
 Tudo ao redor — profeticamente, estava pleno de frias luzes,
 Para que ainda nós pudéssemos aguardar as manhãs quentes…




No paraiso perdido  
(В потерянном раю, 1876)

 Já no início a neblina esfumarada
 Encobria todo o jardim do Eden,
 E a folhagem seca e amarelecida
 Espalhava-se sobre o azul Eufrates,

O pássaro do paraiso já não cantou
 – Da águia, as asas o perseguiam,
 E bravamente rugia a valente leoa,
 Quando sentia-se acuada por um leão.

O mal olhava a tudo com desprezo…
 Mortal conquista! O mundo do prazer
 Imaginando: Para as gerações mortais
 A partir de hoje, um ídolo eu serei.

Eis que, na paradisiaco cenário,
 Com o seu amor-próprio ferido,
 Qual triste sombra, uma mulher
 Pelo paraiso seduzida, caminha. 

O flutuar das mechas ondulantes
 Sem o querer, esconde os seios seus;
 Quiça em resguardo dos pensamentos
 Que da alma lhe abrasaram o caminho.

A mão lhe estendendo, o próprio mal
 Levanta-se correndo. E já de pronto
 Com voz macia, atinge-lhe os ouvidos,
 Cantando a beleza de pecantes sonhos.

Mas quem lhe pode aferrolhar a boca?
 Por que razão ele retorna ao passado?
 E como poderia ser amedrontado aquele
 Para quem, o próprio inferno é nada?

Queria ver as lágrimas, sorriso do paraiso,
 Desfiada de orações — de um pudor acanhado.
 Mas, no olhar dela, o que se encontra? — A
 Irreconciliávelmente hostil contrariedade,

Sem medo algum.
 Uma assim inimizade,
 Jamais esperava-se do pó da terra,
 Que contrastasse com o seu passado formoso.

As trovoadas do resplendor divino –
 Aqueles relampejos, que dos ceus
 Foram lançados — estremeceram
 O olhar dela. O demônio o percebeu!..

Entre as trevas escondeu-se como fantasma,
 Em densas nuvens frias se transformou,
 Como serpente, entre as ervas, deslizou,
 E sobre os galhos dos arvoredos pousou.

Porém, o poder de indignação da ira justa
 Não quis reconstruir o paraiso terrestre,
 E fez diluirem-se no ar, as lágrimas
 Das árvores do poder do mal e da sabedoria.




No jardim     (В саду)

No jardim estamos festejando a despedida do nosso ócio.
 Adeus! Bebo pela sua saude, meu querido amigo! –
 E em homenagem ao sol, que a todos aquece, sem queimar,
 Também ao gelo parabenizo, e a este eexuberante arbusto
 Que não conhece suas rosas prórpias, e a este cálice
 Que não reconhece de quem lábios quentes ela ja tocou.
 E o relampejar, e os sussurros, e esse balanceio
 Dos arvoredos — Tudo repleto de total desconhecimento;
 E nós fomos condenados para festejarmos os sofrimentos,
 Para reconhecermos a frieza e a ardência dos doenças…
 Adeus! Ainda bebo pela sua saude, meu querido amigo!




Na carruagem da vida
(В телеге жизни, 1876)

Eu me acostumei com a minha telega,
Para mim a estrada esburacada não é nada…
Eu sempre tremo, como se fosse um velhote,
Quando me encontro no frio ar da noite…
Algumas vezes, calado e pensativo fico,
E outras vezes, desesperadamente grito:
– Saiste!.. Então, vas!..
Andes com toda a tua valentia!

Embora grite, xingue, ou lágrimas derrame –
Calado permanece, o obstinado cocheiro grisalho:
Mansamente chicoteando os rocinantes,
Com um trote regular ele os mantém andando;
Sob os seus cascos, ouve-se palmadas de lodo,
E, imperceptivelmente se agitando,
Eles — os rocins, correm na escuridão da noite.




Na floresta de coníferas
(В хвойном лесу, 1888 Ф. ж.д. Райвола)

Floresta, como se fosse fumaça de incensório
Toda impregnada de cheiro de alcatrão,
Exala uma putrefação secular
E o frescor da primavera.

O alcatrão, tal como as lágrimas, jorra
Da casca envelhecida das coníferas,
Todas com arranhaduras e feridas
Causados por facão e machado.

Com o aroma alcatronizado
E saudável, desssas feridas,
Eu adoro encher o meu peito
Durante as brumas matinais.

Eu também já fui ferido –
Ferido na alma e no coração,
Hoje espiro este veneno
Nesse frescor da primavera…








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