miércoles, 15 de febrero de 2017

ISABEL DE SÁ [19.942]


Isabel de Sá

Isabel de Sá (Punchbowl 8 de septiembre de 1951) es una artista, poeta y escritora portuguesa.

Isabel nació en Punchbowl el 8 de septiembre de 1951. Asistió a la Escuela de Bellas Artes de la Universidad de Oporto, donde se graduó en Bellas Artes / Pintura. Ejerció la profesión de maestra. Inaugura la primera exposición en 1977 en las galerías Dos y Alvarez, del Port, donde residía.

En 1979 se publicó el primer libro de poemas titulado Esquizo Frenia, pela editora &etc, con dibujos y cubierta de Gracia Martins. A partir de entonces inaugurará numerosas exposiciones individuales en galerías principalmente en Lisboa y Oporto, incluyendo Galeria Árvore do Porto (1979, 1980, 1983, 1987, 1990, 1993), Galeria Opinião de Lisboa (1978, 1979, 1980 ) en Labirintho do Porto (1992).

Bibliografía 

1979- Esquizo Frenia (edições &etc, capa e desenho de Graça Martins )
1980- 5 Folhetos Poéticos (edição das autoras, com desenhos de Graça Martins )
1982- O Festim das Serpentes Novas (Brasília editora, capa e desenhos de Isabel de Sá, desenho de Graça Martins , prefácio de Maria Isabel Barreno )
1983- Bonecas Trapos Suspensos (editora Frenesi)
1983- Desejo ou Asa Leve (edição Fenda, desenho de Graça Martins )
1984- Autismo (edições &etc, capa de Isabel de Sá, desenho de Graça Martins )
1984- Restos de Infantas (edições Ulmeiro, capa e desenhos de Graça Martins , prefácio de Eduarda Chiote )
1984- Nervura (edição Mirto, desenhos e capa de Graça Martins )
1986- Em Nome do Corpo (edições Rolim, desenhos e capa de Graça Martins )
1988- Escrevo Para Desistir (edições &etc, desenho de Isabel de Sá)
1991- O Avesso do Rosto (ed. Caminho)
1993- O Duplo Dividido seguido de Palavras Amantes e Os Poetas Suicidas (ed. &etc, capa e desenhos de Isabel de Sá)
1997- Erosão de Sentimentos (ed. Caminho)
1999- O Brilho da Lama (ed. &etc, capa e desenhos de Isabel de Sá)
2005- Repetir o Poema (poesia reunida 1979-1999) (ed. Quasi, capa de Isabel de Sá)

Exposições Individuais 

1977- Galeria Dois, Porto/ Galeria Alvarez, Porto
1978- Galeria Opinião, Lisboa
1979- Galeria Opinião, Lisboa/ Galeria Árvore, Porto
1980- Galeria Árvore, Porto/ Galeria Opinião, Lisboa
1983- Galeria Espaço A- Clube 50, Lisboa/ Galeria Árvore, Porto
1986- Galeria Espaço A- Clube 50, Lisboa
1987- Galeria Árvore, Porto/ Galeria Barca d´Artes, Viana do Castelo / Galeria Templo do Gato, Lisboa
1988- Galeria Augusto Gomes, Matosinhos
1990- Galeria Árvore, Porto
1992- Galeria Labirintho, Porto
1993- Galeria Árvore, Porto
2002- 25 Anos de Pintura (em conjunto com Graça Martins), Galeria Alvarez, Porto
2003- Das Trevas Para a Luz , Galeria São Mamede, Lisboa
2005- O Rosto do Mundo , Galeria Símbolo, Porto
2007- O Triunfo da Natureza , Galeria Símbolo, Porto
2008- The Love Box , Galeria Solar de Santo António, Porto
2011- A Imagem Coisa Primordial , Galeria João Pedro Rodrigues, Porto
2012- Elementos Naturais e Outros Figurantes , Galeria Porto Oriental, Porto

Exposições Colectivas (selecção) 

1983- I Bienal de Chaves , Chaves (Laureada com o primeiro prémio)
1984- Lagos 84 , Lagos
1985- Um Rosto Para Fernando Pessoa , Centro de Arte Moderna, Lisboa
1986- Kunstlergruppe , Galeria T3, Mannheim ( Alemanha )
1987- III Bienal de Chaves
1988- 25 Anos/ 44 Artistas , Galeria Árvore, Porto
2000- Cerveira 2000 Arte Contemporânea , Vila Nova de Cerveira
2001- Euro-World , Franquefurte (Alemanha)
2002- VII Bienal de Artes Plásticas, Cidade de Montijo -Prémio Vespeira , Montijo
2012- Quarta Exposição Arte Urbana , Porto




CONCLUSIÓN

Fui amante de la muerte
Y de la belleza. Vi la locura,
Creí en la vida.
De la infancia hablé
Como lugar de abismo.
El placer
Fue también la gran fuente
De perturbación y alegría.
Recordé las mujeres
Que rechazaron someterse,
Escribí palabras fúnebres.

No guardé la adolescencia,
El corazón resentido
Y no supe qué hacer
De mí fuera de las palabras.
Escribí para renunciar
Y depender
Y tener identidad.

Traducción por Sandra Santos




CONCLUSÃO

Fui amante da morte
E da beleza. Vi a loucura,
Acreditei na vida.
Da infância falei
Como lugar de abismo.
O prazer
Foi também a grande fonte
De perturbação e alegria.
Lembrei as mulheres
Que recusaram submeter-se,
Escrevi palavras fúnebres.

Não poupei a adolescência,
O coração magoado
E não soube que fazer
De mim fora das palavras.
Escrevi para desistir
E depender
E ter identidade. 




Realidade

Por causa de um livro 
vieste ao meu encontro. 
Era Verão, não sabias de nada 
nem isso interessava. Palavras 
amavam-se fora de ti, 
no atropelo das emoções. 
Lá chegaria a primeira vez, 
o encontro apressado num lugar 
público. Desfeito o erro 
ao toque da pele, não sei 
se havia medo, a paixão queria-me 
no lugar exacto do teu coração. 
Palavras enrolam-se na sombra 
da vida a dor do sentimento. 

Atingido o espírito, o tempo 
da infância, a realidade. Em ti 
a solidão que o prazer 
não mata. Quero a beleza 
dos versos revelada. 
Alguns anos passaram sobre 
a nossa história que não acabou. 
A tarde envelhece e escrevo isto 
sem saber porquê. 

Isabel de Sá, in “Erosão de Sentimentos” 




DENTRO DAS IMAGENS  

Os poemas têm veneno na boca. 

Na estrada da minha vida 
plantei a árvore 
sem saber quem era. 

Em que parte do planeta 
há mais ódio? A matéria 
erosiva transforma o corpo 
e não há regresso. Não 
restará um monte de estrume. 

Em todo o lado 
parece que o mundo em desordem 
pouco a pouco enlouqueceu 
e os homens atam a corda 
à espera que aconteça. 

São infelizes 
mas não o suficiente. 
Não sabem dizer 
por que se esquecem de amar. 



*


Só o lume dos teus beijos rompe 
a treva onde a solidão nos mata. 
Enrolamos a vida no escuro, 
na semente de um amor atribulado. 

Conhecemos o ritmo e a sede, 
a convulsão do desamparo. 
No sentido do corpo, no acerto 
desce a força pelos braços 
na violenta festa do prazer. 

Tudo o que disseste 
no desaforo da paixão 
só podia incendiar a vida inteira 
e encher de esperança o universo. 




A VERDADEIRA BIOGRAFIA: O PERCURSO 

A minha biografia 
é evidentemente excepcional. 
Tive um Pai uma Mãe 
nasci numa Casa 
fui à Escola da vila 
depois do concelho. 
Mudei de distrito para 
continuar 
e o caminho da instrução 
concretizou-se na Faculdade 
de Belas Artes. 

Da infância passada em plena 
Natureza lembro 
a beleza das estações do ano 
os rituais católicos 
uma criada preferida 
o instante em que aprendi a ler. 
Chegou a adolescência 
e com ela a certeza 
Quero ser professora de Desenho. 
Suponho que a Biblioteca 
me salvou do desastre 
interior. 
Tinha dezassete anos 
e requisitei “Uma Época 
No Inferno” de um rapazito 
chamado Jean - Arthur Rimbaud. 

Na Biblioteca o empregado 
olha-me sempre com reserva. 
Eu estudava o quê? 
Um dia livros de medicina 
outro dia de poesia. 
Então a ciência é poética? 

A entrada na vida adulta 
aliada à independência 
e ao amor. O meu país 
sofreu uma revolução. A democracia 
não honrou ainda a sua palavra. 
Cumpro deveres e não posso 
usufruir de direitos proporcionais. 
Eu e alguns milhares 
neste sentimental canto 
europeu sob um regime 
semiditatorial 
contribuo 
para a sopa e os vícios 
de alguns milhares de parasitas. 

Mudando de assunto a pátria 
é grande e a família também. 
Para mim já passou 
o meio século. Já foi o Pai 
a Mãe e o Irmão mais velho. 
Estou por cá à espera 
certamente. 

Não é provável que me entregue. 
Conheci o galinheiro do confessionário 
ajoelhei-me diante do altar 
da virgem. Apaixonei-me. 
Também recebi um terço de prata 
no dia da comunhão solene. 
E na hora exacta o óleo 
perfumado do crisma. 

Sempre que vou a uma missa 
de corpo presente lá está o mesmo altar 
com a deslumbrante 
virgem. Entretenho-me 
a recordar que já tive 
quinze anos e também 
adorei. 

Depois a Páscoa a soturna 
via sacra onde sofria 
pela minha dor 
e as beatas exibiam lágrimas 
como dádiva pelo calvário 
a que Jesus foi sacrificado. 

Jesus era belo na sua passividade. 
Os longos cabelos 
o olhar suplicante 
as pernas 
o tronco liso 
o ventre. Por fim 
a entrega. Braços abertos 
para o bem e para o mal. 

Agora neste dois mil e seis 
trata-se de insistir. Já é tarde 
para quase tudo. 
Os meus contemporâneos alimentam 
uma curiosidade fétida. 
A obra é minha. Faço 
o que quero. Escondo 
rasgo 
mostro 
transformo 
entrego ao crematório 
deixo aos herdeiros 
ao vaticano 
não deixo. 

Nunca esmolei. Não fui pobre. 
Mas os sinais da exclusão 
o ódio é tão luminoso 
que seria patético 
psicotisante até 
não articular sequer 
estes versos 
antes da eutanásia. 




NO DESENHO

A ruína atinge a superfície das palavras, abre no texto uma fissura de lume. Escrevo o que tu queres, a morte do dia. No desenho o rosto adormecido contrasta com o escuro traço da grafite. Também ele será pó ou alguma flor subterrânea. Mas ao espelho eu sou a personagem principal que se desloca na realidade imaginária dos meus livros. Escrever é triste e lembra a beleza do Outono.




NEGAÇÃO

Persigo uma exigência obscura, corro o risco de entrar na minha realidade. Exponho-me à vergonha de escrever, à erosão que isso provoca. Ouso desejar o suicídio das palavras, saber o que me resta. Na estranha paixão do esquecimento, na falta de superfície do eu que me reveste, escrevo porque digo sempre o mesmo. E não há nada de secreto, a escrita é apenas arte.
O tempo, essa brecha, abre no poema o nosso rosto, na pele se introduz e arruína. Se o meu espírito estiver destinado a afundar-se, se a potência do mal quiser o meu limite, serei a radical negação.




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