lunes, 5 de septiembre de 2011

4608.- AFONSO FELIX DE SOUSA


AFONSO FELIX DE SOUSA
(1925-2002)
Nasceu em Jaraguá-Goiás (Brasil). Formado em Economia com pós-graduação em Economia Internacional na École des Hautes Etudes da Sorbonne.

Trabalhou no Banco do Brasil. Assistente de promoção comercial na Embaixada do Brasil em Beirute. Jornalista no Diário Carioca (Rio de Janeiro). Tradutor de numerosas obras em prosa e verso. Organizador de edições da obra de do Barão de Itararé.


Principais Obras Literárias

O Túnel, Edições Orfeu; Civilização Brasileira , Rio de Janeiro , 1948 e 1976. Poemas (2ª edição em Pretérito Imperfeito) - 3ª ed. em Chamados e Escolhidos, Ed. Record, Rio, 2001). Uma de suas mais notáveis obras é Do sonho e da esfinge , Edições Orgeu; Civilização Brasileira , Rio de Janeiro , 1950, 1950, 1967 e 1976. Poemas (3ª edição em Pretérito Imperfeito - 1967 /4ª edição em Chamados e Escolhidos, Editora Record, RJ - 2001) O amoroso e a terra , Livros de Portugal; Civilização Brasileira, Record , Rio de Janeiro e São Paulo , 1953 , Poemas (5 edições). 1953, 1968, 1976 (em Pretérito Imperfeito) - 1993; 2001 (Chamados e Escolhidos).

Memorial do errante , Livros de Portugal; Civilização Brasileira. , Rio de Janeiro , 1956; 1968. Poemas (3ª ed. em Pretérito Imperfeito - 4ª ed. em Chamados e Escolhidos; Record, Rio, RJ, 2001. Íntima Parábola , Livros de Portugal; Civilização Brasileira. , Rio de Janeiro , 1960 , 1960, 1968, 1976, 2001 - Poemas (3ª ed. em Pretérito Perfeito - 4ª ed. em chamadas e Escolhidos, Record, Rio, 2001. Álbum do Rio , Livros de Portugal; Civilização Brasileira, Record , Rio de Janeiro , 1965, 1976, 2001. Poemas (2ª ed. em Pretérito Imperfeito - 3ª ed. em Chamadas e Escolhidos). Chão Básico & Itinerário Leste, Edições Quiron/INL; Record. , São Paulo e Rio de Janeiro , 1978, 2001. Poemas (2ª ed. em Chamados e Escolhidos).

Quinquagésima Hora & Horas Anteriores, Philobiblion/Rio Arte; Record. , Rio de Janeiro , 1987 , 1987, 2001. Poema (2ª ed. em chamados e Escolhidos). À Beira do teu corpo, José Olympio; Record. , Rio de Janeiro , 1990 , 1991, 2001. Poemas (2ª ed. em Chamados e Escolhidos). Sonetos aos pés de Deus e outros poemas, Edições Galo Branco; Record. , Rio de Janeiro , 1996, 2001. Poemas (2ª ed. em Chamados e Escolhidos).

Prêmios Literários

Nacional de Poesia Olavo Bilac do Departamento de Cultura do DF. , Rio de Janeiro, Íntima Parábola , 1957 Prêmio de Poesia Álvares de Azevedo da Academia Paulista de Letras. , São Paulo- SP , Íntima Parábola , 1961 Prêmio Ribeiro Couto de Poesia, UBE , Rio de Janeiro , Obra poética , 1997 Prêmio de Literatura do Conselho Municipal de Cultura de Goiânia. , Goiânia - GO, Obra poética , 2000 Fonte: Associação Nacional de Escritores



TEXTOS EN ESPAÑOL


DESTINO

Trad. De Felipe Trimboli e Eduardo Dalter

Porque naciste oscuras raíces se desparramaron
trazando esos caminos. Ahora vas adelante.
Aun cuando desees detenerte debajo de un árbol,
comer un fruto que no sea tuyo, echarte a la sombra
que no cae del cielo para todos, o desviarte
por otros caminos que soñaste y sólo por eso
juzgas tuyos, irrevocables y mecánicos son los pasos
que te van llevando, inerme, sobre la cuerda floja
hasta la otra margen ­­- de donde volver no puedes.
Volver atrás no puedes; es tarde, siempre es tarde,
que a cada momento la cuerda revienta detrás de ti
y se arma de nuevo a tu frente para que de nuevo
la pises, vayas adelante, llegues allá. Pero ¿a qué lugar
u orilla? ¿A que destino? Manos invisibles trazan
el destino; y los hilos con que los trazan, traman,
son igualmente invisibles. Y vas. Por donde vas,
sean o no los caminos que sueñas tuyos y pisas,
en toda agua a la que te asomes, ves, encuentras
la imagen de la que huyes y es la imagen que buscas.


Extraído de CUADERNO CARMIN DE POESIA 13, 1999, P. 10
Revista dirigida por el poeta Eduardo Dalter, Buenos Aires.






DURACIÓN DEL POEMA

Traducción de Adán Mendez


El amor aplasta el amor y los campos de Ia vida se deshacen.
Las ventanas que daban a tu exterior,
y a se cerraron todas. Es tarde para abririas.
Ahora vuelves de dónde? ahora sabes que es
necesario el silencio
para sentirte mejor el exiliado. Playa dei espanto.
Islas, oh islas lejanas, impalpables! Quieres correr el verde
país de ayer, donde el niño que fuiste juega todavía.
Y es tarde para el retorno. Forzoso es despertar en el extraño
que, pálido, despierta en tu íntimo. Los árboles, de piedra!
Oh, pájaros enmudecidos. Entre cuatro paredes, tu alma
clama por los caminos libres, en el azul...
en el azul! Ah, no ser
el pastor tocando las nubes por invisibles campinas.
O más alia, en las playas más retiradas, no guardar el rebaño
de estrellas, apenas se adormecen. Vuelo inútil
de la imaginación estallada en aves, si no huyes
más alia de Ia carne y de ti mismo. Pero, oyes. Qué oyes?
Son los pensamientos, los dulces pensamientos de otrora
que vuelven, pero envueltos en vientos que cuentan ay!
de un desengañado. Escucha: alguien más triste que tú, alguien
que pudiera atravesar el arenal en llamas, repite lo que callaste
cuando las palabras te cegaron con su luz más pura.
Necesitas aire. Necesitas abrir Ia puerta y dar una carcajada
para que despiertes el mundo y de nuevo te sepas vivo.
Necesitas... que en el fondo de ti se descubran Ias palabras
y en el fondo de Ias palabras escucha: hablan cosas
Las cosas hablas. He ahí lo indecible.

Las bocas... nada dicen las bocas, pero todo se revela.
Los ángeles, ya fríos e informes, he aquí que se animan,
y te transportas, en alfombra de ausencias,
a las regiones de la fábula.
Caballos galopan sobre la arena. El mar recibe el mensajero
de otro mar de llanto donde ahogaste el alma.
Barcos nocturnos llevan el mensaje. El cielo se desmorona
sobre ti, dominado, el clamor de los dioses en furia.

Y he aqui: con Ias olas de la nada llegan... Goiás
en mil violines...

O las colinas en que, dominado, te reencuentras
sobre tus propios rastros, en lo antiguo? En paz te acuestas
y bajo las bendiciones de Venus, a quien ofreciste
en sacrificio lo mejor de ti, el niño que fuiste,
duermes. Y sabes que a tu sueño,
lo guarda lo indecible.



(Extraído da obra THIAGO DE MELLO – VISIÓN DE LA POESÍA BRASILEÑA. Santiago de Chile: Red Internacional del Libro, 1996. Publicada com o apoio da Embaixada do Brasil e do Banco do Brasil).









MECIMIENTO

Traducción de Gabriel Rodríguez


Donde quiera que estuvieres
entregado o fugitivo
verÁs lo que no quieres
en la muerte y estando vivo.

Donde quiera que bañares
la carne y los pensamientos
vendrán de otros lugares
a bañarte otros momentos.

Donde quiera que durmieses
será tu sueño rezo
que en arco-iris sube
y baja sin que lo alcance.

(Do Sonho e da Esfinge)









SONETOS

Traducción de Gabriel Rodríguez

III

Si viene la noche a generar encantos,
puedo inventar penínsulas y mares,
pisar islas al sur entre olas mansas,
pero poco aún tendré en manos de barro.
Dios ha de estar entre las sombras.. .Díganme
como tenderle las manos y mirar el absurdo.
Así, frágil y mortal, para que yo siga
es forzoso que me apoye en la cal de los muros humanos.
Es noche y se deshace toda la belleza
de lo que amara en formas hechas humo.
Para que la sienta en mí va el alma encendida
a arrancar mi vida de sus túmulos.
Y los sitios que habité, mas los otros
que sofié habitar, con la noche vuelven.

(Memorial do Errante)


AFONSO FELIX DE SOUSA




TEXTOS EM PORTUGUÊS



SONETO ELEMENTAR

Nos recantos tranqüilos encontrava
a poesia. Sobre mim e o rio
debruçavam-se as árvores. Os pássaros
eram ecos nos seus primeiros cantos.

Ruas de chuvas leves, nunca o inverno.
Com o menino brincar vinham as tardes
e vinha o céu. Adeus, nuvens cinzentas
onde vagam os monstros meus da infância.

Já não vibram as músicas ingênuas
na planície escutadas. A poesia
difícil se tornou e vive em sombras.

Em mim que tanto amei hoje às palavras
movem-se para ásperas mensagens
e vão morrer na incompreensão dos gestos.






PASSAGEM DAS NUVENS

Os montes, ei-los. O verde
onde dormíamos. Que paz!
Que impossível! Se os buscamos,
recuam os horizontes.
Detê-lo, o carro luminoso.
Inútil: o dia prossegue.
Nas mãos, na bola de cristal,
pelo avesso o que hoje
é sonho , e em tantas
direções (não a que peço
e quero ... outras)
se perde meu destino.

E penso, pálido prisioneiro,
penso. E quanto mais sobes,
pensamento, mais preso
estou á terra.

Suaves, as nuvens fogem.
Para onde? Para onde
irão, lúcidas estradas
em vôo, os pensamentos?
Baixassem, nuvens, errante
me levassem, a alma.
Quero fugir, buscar
— até que o encontre —
o que não creio,
mas quero.

Se há deuses, me chamem.
Estou cansado e mais suave
quero o sono. Tenho fome.
Dos frutos, os proibidos,
dai-me o sabor. Que sede!
Dai -me a beber o amor,
a plenitude, e antes do sono
o pensar na vida sem dizer:
merda! merda! Dai-me o vinho
com que não me esqueça, mas cole-me
asas. Pois estou cansado.

Suavemente, as horas
fogem. Quando não mais
sabê-Ias, as horas fugirão
ainda. E o que me espera?
Nada, o nada. Que apelos
de amor, de vida: o nada.
Incompleta é a vida, sei,
mas são tantas as águas
da eternidade, que jorram!
Dai-me a beber, ó Deus
ó deuses. E se há deuses,
não me abandonem.








SONETO DO REENCONTRO

Nada mais esperar, se o sentimento
que um dia escravo e deus de mim fizera,
é hoje o doce e amargo no alimento
a alimentar quem sou com quem eu era

e nunca o fui, senão em pensamento.
Nada mais esperar? — Mas clama a espera no fundo
do que sonho, quero e invento
com o que resiste, em mim, ao anjo e à fera.

Oh, não mais esperar!— E o desespero
seria em minha voz, como em meus braços,
a espera mais total, do prisioneiro

que, encerrado em si mesmo, sente o espaço ...
Que inteiro está o amor no derradeiro
pedaço deste amor que despedaço.







BALADA DE UPMINSTER

Vá lá, filosofemos.
O tempo foge, mas
a lei que rege extremos
une o eterno e o fugaz.
My darling, quem diria
que te encontrasse um dia?
Nós vamos lado a lado
e anjos bons, do pecado,
me falam de entre os ramos.
É nosso o verde e o prado,
é nosso o que sonhamos.

Se de tudo .o que vemos
também eu sinto a paz?
Ora, o alto céu dos demos
outra visão me traz.
Darling, bem que podia ...
Olha: a tarde é tão fria!
Olha o sol encarnado
de Londres, e o sombreado
no jardim onde estamos .
É nosso o azul sitiado,
é nosso o que sonhamos.

Ir aos cumes supremos
onde estou, onde estás,
onde o céu que perdemos
nos engole, voraz.
Darling, não te dizia
que nem tudo é poesia?
Já se funde o passado
sobre o jardim violado
e outra altura alcançamos.
É nosso o além franqueado,
É nosso o que sonhamos.
Oferenda
Como o céu nos foi dado,
Guardemo-lo malgrado
A alma ter muitos amos.
É nosso o encanto ilhado,
É nosso o que sonhamos.







ASSOVIO EM TOM MENOR

Por esta rua do Rio
perdem-se passos perdidos

Em minha mão uma chave
e a porta qual é? Quem sabe?

Meus passos vão rua acima
a rua nunca termina

Meus passos vão rua abaixo
Só uma porta não acho

E o coração vai comigo
por esta rua do Rio

Vai moleirão farejando
uma sombra um vulto um manto

Que à sua dona quer dar-se
como um cão a meigo cárcere

E como um cão pela rua
ladra a lembranças de luas

E como um cão ao chão joga-se
uiva rebola e se coça

E como um cão lambe os rastos
invisíveis de seus passos

Degraus de tristezas subo
Num décimo andar procuro

Elevadores me trazem
de volta — e desertos se abrem

E nesta rua do Rio
perdem-se passos perdidos

Vão dar (nem sei) numa praia
Na orla do amor ou em nada

Em minha mão uma chave
E a porta qual é? Quem sabe?







DURAÇÃO DO POEMA

O mar esmaga o amor e os campos da vida se desmancham.
As janelas que davam para fora de ti,
já estas se fecharam. É tarde para abri-las.
Agora voltas — de onde? Agora sabes que é preciso silêncio
para que mais te sintas o exilado. Praia espessa do espanto.
Ilha, ó ilhas longes, impalpáveis! Queres comê-lo, o verde
país de ontem, onde a criança que foste ainda brinca.
E é tarde para o retorno. Força é acordares no estrangeiro
que pálido, acorda no teu íntimo. As árvores, de pedra!
Olha os pássaros emudecidos. Entre quatro paredes, tua alma
clama pelas estradas livres, no azul... no azul! Ah, não seres
o pastor tangendo nuvens por invisíveis campinas.
Ou mais além, nas praias mais recuadas, não guardares
o rebanho de estrelas, assim que adormecem. Vôo inútil
com a imaginação estilhaçada em aves, se não foges
para além da carne e de ti mesmo. Mas, ouves. Que ouves?
São os pensamentos, os doces pensamentos de outrora
que voltam, mas envoltos em ventos que contam - ai! —
de mim iludido. Ouve: alguém mais triste do que tu, alguém
que pudera atravessar o areal em chamas, repete o que calaste
quando as palavras te cegaram com sua luz mais pura.
Precisas de ar. Precisas abrir a porta e dar uma gargalhada
para acordares o mundo e de novo te saberes vivo.
Precisas... que no fundo de ti se descobrem as palavras
e no fundo das palavras — ouve: falam as coisas.
As coisas falam. Eis o indizível.

As bocas... nada dizem as bocas, mas tudo se revela.
Os anjos, já frios e informes, eis que se animam,
e te transportas, em tapete de ausências, às regiões de fábula.
Cavalos galopam sobre a areia. O mar recebe o mensageiro
do outro mar — de pranto — onde afogaste a alma.
Barcos noturnos levam a mensagem. O céu desaba
sobre ti, dominado, o clamor dos deuses em fúria.
E eis: com as ondas, do nada chegam... Goiás em mil violinos.
Os as colinas em que, dominado, te reencontras
sobre os teus próprios rastos, no antigo? Em paz te deitas
e sob as bênçãos de Vênus a quem ofereceste
em sacrifício o melhor de ti, a criança que foste,
dormes. E sabes que teu sono,
embala o indizível.











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