lunes, 5 de septiembre de 2011

ADRIANO ESPÍNOLA [4.607]


ADRIANO ESPÍNOLA 

Nace en Fortaleza (Brasil), en 1952. Profesor 
Adriano Espínola ha publicado Fala, favela (1981), O lote clandestino (1982), Trapézio (1984), Em trânsito (1996), que reunía sus obras anteriores Táxi y Metrô, Beira-Sol (1997), Praia provisória (2006) y Escritos ao Sol (2015), libro del que se han tomado los poemas que se reproducen en esta página. El poeta es también autor de un libro de relatos, o poemas en prosa, que ha titulado Malindrânia (2009), y de enjundiosos ensayos sobre el poeta barroco Gregorio de Matos y el romántico Sousândrade. Es también profesor de la Universidad Federal de Río de Janeiro y de la Université Stendhal Grenoble III.



Traducciones de Eduardo Langagne 


Las chinelas 

Como um perro 
suelto 

el Sol súbito 
salta 

por la ventana 
del nuevo 

día. 

Y ahí 
de pie 

de la cama 
se enreda 

en el viejo 
par 

de chinelas. 



EL CLAVO 

Lo que 
más duele 

no es 
el retrato 

en la pared 

sino 
el clavo 

ahí 
clavado 

persistente 

en el centro 
de la 

mancha 

del cuadro 
ausente. 

Poemas extraídos de ALFORJA – REVISTA DE POESÍA, México, n; XIX, Invierno 2001, que edita el poeta José Ángel Leyva. Parte de una edición especial dedicada a la poesía brasileña, organizada por Floriano Martins. 



Pesca

La aurora se desamarra del muelle.
Un barco surca el pecho
rosado del mar.
La mañana sacude las ondas
y los coqueros.

El azul prolonga la línea del horizonte.

En la playa, un pescador arrastra
un sol de algas.
En sus manos, un pez salta:
oh palabra de escamas,
espíritu agitado de las aguas.



Las dunas

Tú, hora, revoloteas en las dunas

Paul Celan

Avanzan, sigilosas,
tocadas por la mano simétrica 
del viento.

La luz de la mañana
sobre ellas se escurre,
hecha ondas en la marea llena.

Verdevivos
los arbustos se agarran
desesperados
a la blanca memoria de arena.

Allí, las dunas acechan la ciudad
—el bote de arena armado―
a la espera del tiempo.

Tácitas, llevan a la espalda
el presente, aleteante.
En los pechos, el pasado,
circulante.



El coquero

Altivo,
se yergue frente al mar.
Con las palmas agitadas,
quiere ser un pájaro.

Por un momento,
se detiene en pleno vuelo:
la copa verde
abrazada al vasto viento.

La memoria del tronco
se vuelve,
incluso,
dilata-
damente
para la
tierra,
lamiendo
la savia
salada
de los sueños.

El coquero
es un verso vegetal puesto en pie.



La vieja

Esculpida en silencio,
sentada y sabia,
mira el horizonte de la congoja.

Al lado, el mar murmura
las sílabas del ocaso.

Oh belleza antigua y súbita:
sobre su hombro
el instante se reclina,
iluminado.

Antonio Maura
http://www.espacioluke.com/2016/Septiembre2016/maura.html




FALA, FAVELA 
VOILÀ FAVELA 
2ª edição 
Traduit du Portugais (Brésilien) 
par Silvia Rouquier 
Rio de Janeiro: Topbooks, 1998. 
123 P ISBN 85-86020-85-6 
Editado com o apoio da Fund. Biblioteca Nacional 



POEMA VERTEBRAL 

— Uma bala dentro do corpo, 
eis minha casa. 

Uma bala loteando a espinha, 
eis meu espaço. 

Uma bala habitando a fala, 
eis minha sala. 

Uma bala guardada nos gestos, 
eis meu armário. 

Uma bala varando o sono, 
eis o meu quarto. 

Uma bala na viga dos braços, 
eis meu terraço. 

Uma bala plantada no tempo, 
eis meu quintal. 

Uma bala posseira da fome, 
eis minha paga. 



LÍNGUA-MAR 

A língua em que navego, marinheiro, 
na proa das vogais e consoantes, 
é a que me chega em ondas incessantes 
à praia deste poema aventureiro. 
É a língua portuguesa, a que primeiro 
transpôs o abismo e as dores velejantes, 
no mistério das águas mais distantes, 
e que agora me banha por inteiro. 
Língua de sol, espuma e maresia, 
que a nau dos sonhadores-navegantes 
atravessa a caminho dos instantes, 
cruzando o Bojador de cada dia. 
Ó língua-mar , viajando em todos nós. 
No teu sal, singra errante a minha voz. 



O JANGADEIRO 

Jangadas amarelas, azuis, brancas, 
logo invadem o verde mar bravio, 
o mesmo que Iracema, em arrepio, 
sentiu banhar de sonho as suas ancas. 
Que importa a lenda, ao longe, na história, 
se elas cruzam, ligeiras, nesse instante, 
o horizonte esticado da memória, 
tornando o que se vê mito incessante? 
As velas vão e voltam, incontidas, 
sobre as ondas (do tempo). O jangadeiro 
repete antigos gestos de outras vidas 
feitas de sal e sonho verdadeiro. 
Qual Ulisses, buscando, repentino, 
a sua ilha, o seu rosto e o seu destino. 



AS DUNAS 

Tu, hora, revoas nas dunas. 
Paul Celan 
Avançam, 
sorrateiras, 
tangidas pela mão simétrica 
do vento. 

A luz da manhã sobre elas 
escorre 
como ondas na maré 
cheia. 
Verdevivos, 
os arbustos se agarram 
em desespero 
à alva memória da areia. 

Ali, 
as dunas espreitam a cidade 
— o bote de areia armado — 
à espera do tempo. 

Tácitas, 
levam nas costas, 
esvoaçante, 
o presente; 
nos peitos, o passado 
semovente. 



A VELHA 

Esculpida em silêncio, 
sentada 
e sábia, 
fita o horizonte da mágoa. 
Ao lado, 
o mar murmura 
as sílabas do ocaso. 

Ó beleza antiga e súbita: 
sobre seu ombro 
o instante 
se debruça, iluminado. 



A RENDEIRA 

Na teia da manhã que se desvela, 
a rendeira compõe seu labirinto, 
movendo sem saber e por instinto 
a rede dos instantes numa tela. 
Ponto a ponto, paciente, tenta ela 
traçar no branco linho mais distinto 
a trama de um desenho tão sucinto 
como a jornada humana se revela. 
Em frente, o mar desfia a eternidade 
noutra tela de espuma e esquecimento 
enquanto, estrelaçado, o pensamento 
costura sobre o sonho a realidade. 
Em que perdida tela mais extrema 
foi tecida a rendeira e este poema? 



FORTALEZA REVISITED 

Sou outro 
em mim, 

memória 
da cidade, 

que se sonha 
outra vez 

na claridade. 

Extraídos de 41 POETAS DO RIO, org, Moacyr Félix. Rio de Janeiro: FUNARTE, 1998. 514 p. 




De
Adriano Espínola
O LOTE CLANDESTINO
2ª. edição.  Rio de Janeiro: Topbooks, 2002.  
124 p.  ISBN 85-7475-043-3


“O Lote clandestino” remonta e reapresenta poemas; alguns inéditos, mas antigos; e experiências que lembram montagens do Affonso Ávila (“quem veio primeiro nas digressões verbais do tipo “ATRAVESSE A FAIXA ASSINALADA”? era uma tendência no pós-concretismo, palavra-puxa-palavra, poesia processo...). 
         Quem apresenta a 2ª. edição de livro é o brasilianista Charles A. Perrone, que resume: “Pois bem, do livro Adriano Espínola tem feito muito: criou um dos mais interessantes títulos da recente poesia brasileira, aceitou desafios textuais vários e apostou em soluções novas e combinações instigantes e intrigantes, fórmulas originais”. 
         Na 2ª. edição aparecem duas novas seções — “Urbs” e “Grafites” que teriam ficado “fora da edição original, devido à impossibilidade técnica de reproduzi-los”.
         Mas é o próprio Adriano quem explica como surgiu a 1ª. ed., mimeografada, em 1982, como o  “lançamento de versos” da janela de um edifício da Praça do Ferreira, em Fortaleza. Agora é lançado por uma grande editora. Façanha que Adriano Espínola justifica nestes versos:


 “Para Moema,
sempre. Uma e múltipla.

E para mim, mesmo,
sendo outro.”

Antonio Miranda
agosto 2011.



O Lote clandestino
(fragmento)

Eu, o real fundador do Cinismo na literatura brasileira
(se não for, melhor ainda)
eu, o corruptível, o traidor de todas as causas;
o sedutor do poetas menores e abandonados;
o demissionário das convicções mais elementares
— não me interesso em saber de vida que não seja a da cidade.



TV Bandeira

         A Elvia Bezerra

Que importa a Bahia, a glória literária, a utopia no horizonte?

— O que vejo é a tevê defronte.



Poesia

Na noite 
imensa,

o único
crime

que com-
pensa.




De
EM TRÂNSITO
2ª. Ed. Rio de Janeiro: Topbooks, 1996


TAXI

(...)
Confira o lance:

         toda sabedoria passa pela carne;
         toda iluminação atravessa os sentidos;
         toda visão viaja pelo corpo,
         — ponte de sangue sensitivo entre o céu e a terra,
         v ertigem da consciência esbarrando entre o céu e a terra,
         nas paredes das costelas,
         pequeno cais nervoso de todas as sensações
                   à beira do nada
                            —oceano calado te espreitando,
                            as amarras do corpo
                            partindo-se a cada minuto
                            do porto de si mesmo...

E eu aqui, sábio com as mãos entre tuas coxas,
soprando ávido
         no teu ouvido
                   a lição luminosa:
                            sessenta e novembro                 
                                      69.

E tua língua veloz: love
                                                       love
                                                                              logos.

Mais depressa!
Direto para um motel na Praia do Futuro!

(...)




METRÔ
(...)

Raiva entre os dentes.
Raiva de mastigar um osso e a impossibilidade metafísica
         de ser trezentos dentro de mim.
Raiva súbita de não poder ser um,
         mas trezentos e cinqüenta fora de mim,

Mários, Marias, Maricas
(não sendo nem um nem outro – todos!),
entrando e saindo por entre gestos/portas
                                      elevadores/olhares,

ofertando não simpatia — mas desprezo;
         não prazer — mas porradas

— para que minha atração humana e solidariedade
possam ser as mais completas e inúteis possíveis!


Ora, vamos.
Essa gente só é bela para os olhos desprevenidos
e a arte mentirosa. De perto fede, faminta de si mesma.
(Que importa saber dos outros, eu que não sei de mim?!)

Por isso, danem-se todos.
Nada de canção amiga, meu chapa,
que distribua um segredo como quem ama ou sorri.

Outro é o tempo.

Quero estar sozinho,
bêbado do mundo e lúcido de mim.

Não me venham com análises existenciais e políticas,
campanhas ecológicas ou esotéricas
— que me interessam?
Se masturbem com elas até morrer!
Nada muda nada nesta hora.
Nem proponham contatos, contratos, confidências
sobre minha mesa pensa
de tantos papos e planos!

Não salvarei nem iluminarei ninguém.
Não defenderei as matas nem as matilhas de amanhã.
Não escreverei cartas de protesto à redação,
nem de solidariedade às baleias assassinadas.
Não denunciarei a falta de flores nas praças públicas,
nem a falta de dentes na tua boca ressentida!





De
BEIRA-SOL
2ª. Ed
Rio de Janeiro: Topbooks,1999


PESCA

A aurora se desamarra do cais.
Um barco singra o peito
rosado do mar.
A manhã sacode as ondas
e os coqueiros.

O azul estica a linha do horizonte.

Na praia, um pescador arrasta
um sol de algas.
Em suas mãos, um peixe salta:

ó palavra escamosa,
espírito agitado das águas.



BEIRA-SOL

Nasce da luz solar um pescador.
Sobre urna pedra,
fisga a carne prateada.

Duas mulheres na areia,
retalhando pargos,
cantam urna canção vermelha.

Cajueiros sopram
sua verde vigília
na fronte de um jangadeiro.

Nas dunas,
meninos açoitam
com a espinha dos peixes
o dorso da claridade.

Três jangadas,
inclinadas na praia,
aparam a luz
com seus brancos dedos
entrelaçados.

O céu
é uma vela inflada
ao sopro salobre das ondas.

Faiscante,
a manhã marinha rola,
em Fortaleza, à beira-sol.



CLARIDADE

A Catherine Dumas

Com os punhos cerrados de sol,
a luz golpeia
a praia.

Arde o instante na areia.

Nas dunas,
por entre casebres,
papoulas acendem sua dor
vermelha.

Mestre André,
sob um coqueiro,
retalha com a peixeira
o esquivo
milagre dos peixes.

O verdiazul ascende as costas
do horizonte.

Barcos buscam, peregrinos,
as profundezas.

O pensamento a pino
se descobre,
transparente.

Espiritual é a luz do meio-dia.




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