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sábado, 7 de noviembre de 2015

FILOMENA EMBALÓ [17.418]


Filomena Embaló 

Nació en Angola en 1956, de padres caboverdianos. Estudió Ciencias Económicas y en 1975 se trasladó a Guinea Bissau, donde ejerció diversos cargos la Administración pública.

Es autora de la novela Tiara (1999) y el libro de relatos Carta aberta (2005). Coração cautivo, su primer libro de poemas, se publicó en 2008.



LOS AMOS DEL MUNDO

Vinieron
Se lo llevaron todo
El sueño
La esperanza
La vida
Hasta la realidad barrieron
Y en la confusión de la huida
El vacío arrancaron
Por miedo a que engendrase
Los genes de la vida
La luz
Y sus gestos
Denunciasen

Ellos…
Los amos del mund
Ahogaron el sueño
Ahorcaron la esperanza
Apagaron la vida
Con un soplo
Un chasquido de dedos
Un altivo encogimiento de hombros …

Señores de todos los
Destinos
Intocables
En sus torres de cristal
Robadas al sudor ajeno
Vinieron
Se llevaron todo
La risa
El llanto
El aliento
Hasta los rostros desfigurados
Por el dolor
Y en la confusión de la huida
Arrancaron los ojos
Para  que no los viesen
Y los condenasen

Ellos…
Los amos del mundo
Capturaron la risa
Amarraron el llanto
Asfixiaron el aliento
En un gesto loco
De un restallar de látigo
La mirada altiva…

Dioses del universo
Señores de todos los
Destinos
Decidiendo la vida y la muerte
Vinieron
Se llevaron todo
La dignidad
La modestia
La honestidad
Hasta el pensamiento
Vaciaron
Y en la confusión de la huida
La conciencia perdieron
Porque no aguantaban su peso

Ellos…
Los amos del mundo
Violaron la dignidad
Enterraron la modestia
Vendieron la honestidad
En un abrir y cerrar de ojos
Como en un truco de magia
El semblante altivo…

Señores absolutos
Invirtieron la escala de valores
A la luz de su propia imagen
Vinieron
Se llevaron todo
El pan de la boca del hambriento
El techo del que no tenía casa
Hasta la Historia apagaron
Dejando apenas tras de sí
Humillación
Impotencia
Revuelta
Que el pueblo en el dolor ahoga
Por no poseer armas iguales
Para combatir tal violencia
Que de igual
Solo tiene el odio
Fruto mudo de la furia destructora!

Ellos…
Los amos del mundo
Criminales impunes
Con la conciencia tranquila

La barriga repleta de ganancias 
El pecho hinchado de razón

De una legitimidad usurpada 
Inconscientes de su propia ignorancia!!!   

*Traducción de Mario Grande.
http://traducciones.lagallaciencia.com/



OS MESTRES DO MUNDO

Vieram
Levaram tudo
O sonho
A esperança
A vida
Até a realidade varreram
E na azáfama da fuga
O vazio arrancaram
Com medo que engendrasse
Os genes da vida
A luz
E os seus gestos
Denunciassem

Eles...
Os mestres do mundo
Afogaram o sonho
Enforcaram a esperança
Apagaram a vida
Com um sopro
Um estalar de dedos
Um sacudir de ombros altivo...

Senhores de todos os
Destinos
Intocáveis
Nas suas torres de cristal
Roubadas ao suor alheio
Vieram
Levaram tudo
O riso
O pranto
O fôlego
Até os rostos desfigurados
Pela dor
E na azáfama da fuga
Os olhos arrancaram
Para que não os vissem
E os condenassem

Eles...
Os mestres do mundo
Prenderam o riso
Amarraram o pranto
Asfixiaram o fôlego
Num gesto louco
De um estalar de chicote
O olhar altivo...

Deuses do universo
Senhores de todos os
Destinos
Decidindo a vida e a morte
Vieram
Levaram tudo
A dignidade
A modéstia
A honestidade
Até o pensamento
Esvaziaram
E na azáfama da fuga
A consciência perderam
Por não lhe suportarem o peso

Eles...
Os mestres do mundo
Violaram a dignidade
Enterraram a modéstia
Venderam a honestidade
Num abrir e fechar de olhos
Como num truque de magia
O semblante altivo...

Senhores absolutos
Inverteram a escala de valores
À luz da própria imagem
Vieram
Levaram tudo
O pão da boca do faminto
O tecto do desabrigado
Até a História apagaram
Deixando apenas no seu rasto
Humilhação
Impotência
Revolta
Que o povo na dor afoga
Por iguais armas não possuir
Para combater tal violência
Que de igual
Só tem o ódio
Fruto mudo
Da fúria destrutiva!

Eles...
Os mestres do mundo
Criminosos impunes
De consciência tranquila
Barriga farta de ganância
O peito inchado de razão
De uma legitimidade usurpada
Inconscientes da própria ignorância!!!



IDENTIDADE

Busco raízes profundas
no sangue das Ilhas
a semente germinada
em terras fartas do Maiombe
a flor desabrochada
nas Colinas do Boé
e encontro
os caminhos cruzados do meu eu!

Caminhos de ontem
caminhos de hoje
horizontes infindos
que fazem do meu eu
o Ser de Amanhã

Caminhos cruzados do meu eu
trilhados por riquezas sem fronteiras
criastes um Ser
que é ele
o outro
e sou eu!

 - Bruxelas, 15/3/93     



O menino ganhou a guerra

Juro que não sonhei
Vi com os meus olhos
O menino ganhou a guerra !
Matou o monstro da fome
Com a arma da comida
Sentou-se à mesa da Paz
Sua barriga fartou
Fartou também seu coração
Por saber farto o amanhã
E no acalento da fome
A barriga desinchou
Os olhos voltaram a sorrir
A esp’rança sorria no seu rosto
O menino ganhou a Guerra!

 Paris, 20/12/02 



Sonho Infinito

Trouxa ao ombro
Lá vai o Passado
Costas vergadas
Carga pesada
Ignorância   
Miséria
Guerras
E Fome
Partiu para longe
Destino sem fim
Longe do Homem
Tão massacrado há anos mil!

Caminha, caminha
O passo arrastado
Cruza o Futuro
De passo apressado
Ligeira, ligeira a sua carga
Sabedoria
Abastança
Saciedade
E paz
Caminha, caminha
O passo ligeiro
Espera-o o Homem
Encontro marcado há anos mil!  

Paris, Dezembro de 2003





ACRÓNIMO

Esperança acalentaste
Num futuro risonho
Terra Mãe – Filha de África
Em tuas entranhas
Ressuscitaste o sonho
Razão do teu viver
Armaste teus filhos
Rumo à liberdade
Acreditaste na vitória
Mas os ventos mudaram

Os homens também...         
Sem escrúpulos nem pejo
O teu sonho derrubaram
Num cíclico jogo de armas
Honrado seja o teu nome
Oh! Pátria mil vezes violada

De onde vem tanto ódio
Entre teus filhos amados?

Corre o sangue derramado
Abrem feridas mal saradas
Bate em teu peito a chamada
Recobre as forças Terra – Mãe
Ainda é longa a caminhada
Levanta-te Guiné e desenterra o teu sonho!  

 Charenton le Pont 19/10/04




DESILUSÃO

Abate sobre mim
O peso angustiante
De esperança perdida
Da crença desmentida

Desmorona-se o mundo de sonhos
Alicerçado em ideias juvenis
Que o correr da vida
Transformou em utopia

Nego-me a engolir
O nó da desilusão
Que me estrangula
Me sufoca

Nego a entregar-me
A esse pranto vencido
Que me invade o peito
Me deixa muda
Estupefacta
Impotente!

Reservo-me o direito de acreditar
Que se sonho existe
Se sonho existe
É o pesadelo em que me encontro!

 Bissau, 27/05/93




NEM BOTAS NEM CANHÕES

Trago no corpo 
as marcas da vida 
No coração 
Os sonhos abortados 
Na pele as chagas do sofrimento 

Meus olhos cegaram 
De tanta dor enxergarem 
Meus ouvidos ensurdeceram 
Com o choro da criança faminta 
Minha boca se calou 
Para não mais clamar minha dor 

Mas no âmago do meu ser 
Na minha essência mais profunda 
Guardei a força do querer 
E nem ventos nem marões 
Nem botas nem canhões 
Nem sórdidas tentações 
Minha marcha travarão 

Sigo em busca da verdade 
Novos sonhos brotarão 
Novos mundos se abrirão 
Em cada riso de criança acalentada 
Colherei um pedaço de vitória 
E de riso em riso 
De vitória em vitória 
Se vai edificando um mundo melhor!



SALVÉ O DIA 15 DE AGOSTO

Pelas tuas primaveras
Aqui vamos celebrar
Reservei o melhor champanhe
A festa vai começar!
Brindo eu, brindamos todos
É festa ó minha gente!
Não venham cá com tristezas
Só alegria pode entrar!

Digam lá o que quiserem
Isto é mesmo de arrombar
Didinho faz anos hoje
Impossível ignorar!
Ninguém daqui arreda pé
Há bolo com velas e tudo
Oh! Didinho vem assoprar !

Feliz aniversário, querido Amigo,
que habitem sempre em ti a crença, a força e o entusiasmo
que te movem nesta luta por uma Guiné justa e próspera!

 15.08.2010




Decadência

a acácia murchou
Secou
As pétalas caíram uma a uma
Sublimaram-se esperanças magnânimas
Legítimas
A realidade tombou
Com o seu manto da morte
Miséria
Fome
Cóleras…

A fome apertou
O pai protestou
O filho chorou
A mãe amparou

A fome matou
O pai protestou
A policia chegou
E o pai levou
O filho sem forças
Já não chorou
A mãe desamparada
Chorou !

 Bruxelas, 20/12/96




martes, 16 de septiembre de 2014

AMÍLCAR CABRAL [13.335]


Amílcar Cabral

Amílcar Cabral (12 de septiembre de 1924, Bafatá, Guinea-Bisáu - 20 de enero de 1973) fue un ingeniero agrónomo y escritor, máximo dirigente revolucionario de la llamada Guinea portuguesa Guinea-Bisáu y Cabo Verde.1

Fue Secretario General del Partido Africano para la Independencia de Guinea y Cabo Verde (PAIGC), que organizó en 1956, y que, con las armas en mano y con la colaboración de efectivos militares cubanos, se enfrentó al colonialismo portugués hasta conseguir la independencia. El 20 de enero de 1973, cuando ya la victoria era inminente, fue asesinado por camaradas de su proprio partido dirigidos por Inocêncio Kani.

El Aeropuerto Internacional situado en la isla de Sal, el único de este tipo de Cabo Verde, lleva el nombre del héroe de la independencia de Guinea y Cabo Verde.

Llevan su nombre las máxima condecoraciones de Guinea-Bisáu y Cabo Verde: la Medalla Amílcar Cabral y la Orden Amílcar Cabral, respectivamente.


Amilcar Cabral, escritor cuya importancia histórica coexiste en Guinea-Bissau y Cabo Verde.
Es en este período que surgen los primeros poetas guineanos: Vasco Cabral y Antonio Baticã Ferreira.  Amilcar Cabral, con una doble conexión con Guinea y Cabo Verde, forma también parte de esta generación de escritores nacionalistas. La literatura de este período se caracteriza por el surgimiento de la poesía de combate que denuncia la dominación, la miseria y el sufrimiento, incitando a la lucha por la libertad.

Aunque los primeros poemas de Amilcar Cabral revelan un autor caboverdiano, la mayor parte de su obra literaria es dominada por un cuño universalista, marcada por contestación e incitación a la lucha:


« Ah, mi grito de revuelta que recorrió el mundo
que no traspasó el mundo
el Mundo que soy yo!
Ah ! mi grito de revuelta que se desvaneció allá lejos
Muy lejos
En mi garganta !
En la garganta mundo de todos los Hombres »



Vasco Cabral es ciertamente el escritor de esta generación con la mayor producción poética y el poeta guineano que mayor número de temas abordó. Su pluma pasa del oprimido a la lucha, de la miseria a la esperanza, del amor a la paz y a los niños…. Inicialmente con un abordaje universalista, su obra se orienta, a partir de los años 60 hacia la realidad guineana [iv]. En 1981, publicó su primer libro de poemas titulado “La lucha es mi primavera”, obra que reúne 23 años de creación poética entre 1951 y 1974.  Esta obra fue posteriormente publicada por la Unión Latina en una versión trilingüe en portugués, francés y rumano.



Cita:

« Madre África
Vejada
Humillada
pisoteada hasta las lágrimas
confía y lucha
y un día África será nuestra… » 

« …Ah ! Comme il me plairait
d’embrasser sur la bouche l’aurore
et de promener mes doigts
dans la chevelure de l’avenir
pour que paix et liberté
soient universelles. » 




REGRESO

Mamá Vieja, venga a oír conmigo
el batir de la lluvia allá en su portón.
Es un batir de amigo
que vibra dentro de mi corazón.

La lluvia amiga, Mamá Vieja, la lluvia,
que hace tanto tiempo no batía así...
Oí decir que la Ciudad-Vieja,
- la isla toda -
En pocos días se tornó jardín...
Dicen que el campo se cubrió de verde,
del color más bello, porque es el color de la esperanza.
Que la tierra, ahora, es el mismo Cabo Verde.
Es la tempestad que se tornó bonanza...

Venga conmigo, Mamá Vieja, venga,
recobre la fuerza y lléguese al portón.
La lluvia amiga ya habló, se mantiene
y late dentro de mi corazón!

Traducción al español: Ana Muela Sopeña



REGRESSO

Mamãe Velha, venha ouvir comigo
o bater da chuva lá no seu portão.
É um bater de amigo
que vibra dentro do meu coração.

A chuva amiga, Mamãe Velha, a chuva,
que há tanto tempo não batia assim...
Ouvi dizer que a Cidade-Velha,
— a ilha toda —
Em poucos dias já virou jardim...
Dizem que o campo se cobriu de verde,
da cor mais bela, porque é a cor da espérança.
Que a terra, agora, é mesmo Cabo Verde.
— É a tempestade que virou bonança...

Venha comigo, Mamãe Velha, venha,
recobre a força e chegue-se ao portão.
A chuva amiga já falou mantenha
e bate dentro do meu coração!




POEMA

¿Quién no recuerda
aquel grito que parecía un trueno?!
- Es que ayer
dejé mi rebelión frita.
Mi grito de rebeldía se hizo eco por los valles más distantes de la Tierra,
atravesó mares y océanos,
traspasó los Himalayas de todo el mundo,
no respetó fronteras
y hizo vibrar mi pecho...

Mi grito de rebeldía hizo vibrar los pechos de todos los hombres,
confraternizando todos los hombres
y transformando la vida...

... ¡Ah! Mi grito de revuelta que recorrió el mundo,
que no haya adaptado el mundo,
El mundo a mí!
Ah! Mi grito de revuelta se perdió a lo lejos,
Lejos,
En mi garganta!

La garganta de todos los hombres.





POEMA

Quem é que não se lembra
Daquele grito que parecia trovão?!
– É que ontem
Soltei meu frito de revolta.
Meu grito de revolta ecoou pelos vales mais longínquos da Terra,
Atravessou os mares e os oceanos,
Transpôs os Himalaias de todo o Mundo,
Não respeitou fronteiras
E fez vibrar meu peito...

Meu grito de revolta fez vibrar os peitos de todos os Homens,
Confraternizou todos os Homens
E transformou a Vida...

... Ah! O meu grito de revolta que percorreu o Mundo,
Que não transpôs o Mundo,
O Mundo que sou eu!

Ah! O meu grito de revolta que feneceu lá longe,
Muito longe,
Na minha garganta!

Na garganta de todos os Homens






ROSA NEGRA

Rosa,
Te llamo Rosa, mi hermosa negra
Y en tu oscuridad
tus dientes se muestran sonrientes.

Tu cuerpo balancea, caminas bailando,
Mi hermosa negra, lasciva y riente
Vas llena de vida, vas llena de esperanzas
En tu cuerpo corriendo la savia de la vida
Tu carne gritando
y tus labios sonriendo...

Pero temo la suerte en la vida que vives,
la vida que tenemos...
Mañana tendrás hijos, mi hermosa negra
Varices en las piernas y dolores en el cuerpo;
Mi hermosa negra ya no serás Rosa,
Serás una negra sin vida y sufriente
serás una negra
y temo tu suerte!

Mi hermosa negra no temo tu suerte,
la vida que vives no tardará en acabar,
Mi hermosa negra, mañana tendrás hijos
Mas mañana también...
mañana tendrás la vida!





ROSA NEGRA

Rosa,
Chamam-te Rosa, minha preta formosa
E na tua negrura
Teus dentes se mostram sorrindo.

Teu corpo baloiça, caminhas dançando,
Minha preta formosa, lasciva e ridente
Vais cheia de vida, vais cheia de esperanças
Em teu corpo correndo a seiva da vida
Tuas carnes gritando
E teus lábios sorrindo...

Mas temo tua sorte na vida que vives,
Na vida que temos...
Amanhã terás filhos, minha preta formosa
E varizes nas pernas e dores no corpo;
Minha preta formosa já não serás Rosa,
Serás uma negra sem vida e sofrente
Ser’as uma negra
E eu temo a tua sorte!

Minha preta formosa não temo a tua sorte,
Que a vida que vives não tarda findar...
Minha preta formosa, amanhã terás filhos
Mas também amanhã...
... amanhã terás vida!






ILHA

Tu vives - mãe adormecida-
nua e esquecida,
seca,
fustigada pelos ventos,
ao som das músicas sem música
das águas que nos prendem...

Ilha:
teus montes e teus vales
não sentiram passar os tempos
e ficaram no mundo dos teus sonhos
- os sonhos dos teus filhos -
a clamar aos ventos que passam,
e às aves que voam, livres,
as tuas ânsias!

Ilha:
colina sem fim de terra vermelha
- terra dura -
rochas escarpadas tapando os horizontes,
mas aos quatro ventos prendendo as nossas ânsias!

Fonte: Antologia Poética da Guiné-Bissau, Editorial Inquérito, 1990





martes, 18 de marzo de 2014

WALDIR ARAÚJO [11.261]


Waldir Araújo 

Poesía Actual de Guiné-Bissau
Waldir Araújo (Guiné-Bissau, 1971). A los 14 años viaja, por primera vez a Portugal. En el equipaje lleva el premio obtenido en el concurso literario del Centro Cultural Portugués, en Bissau. Es en Lisboa que prosigue los estudios secundarios y académicos, sigue el curso de Derecho, y alimenta la pasión por las palabras. Periodista desde 1996, pasa por la prensa escrita, perteneciendo a los cuadros de la revista Valor y colaborando con varios diarios y revistas. Desde 2001 integra la redacción de RDP –África, una Estación Radiofónica portuguesa que emite para África lusófona. La actividad literaria, sin embargo, no cesa. Publica, de forma regular, prosas y poemas en sites culturales portugueses y brasileros. En el 2004 le es atribuida la Beca de Creación Literaria por el Centro Nacional de la Cultura, de Portugal, lo que le proporciona una investigación de varios meses junto a la comunidad de los “Rabelados”, en Ilha de Santiago, Cabo Verde. En el 2008 publica Admirável Diamante Bruto y Outros Contos (Livro do Dia), es la primera aventura del autor en los cuentos, después de la colaboración con los diarios literarios brasileros Bagatelas y Rascunho.


Waldir Araújo (Guiné-Bissau, 1971). Aos 14 anos viaja, pela primeira vez, para Portugal. Na bagagem leva o prémio obtido no concurso literário do Centro Cultural Português, em Bissau. É em Lisboa que prossegue os estudos secundários e académicos, frequenta o curso de Direito, e alimenta a paixão pelas palavras. Jornalista desde 1996, passa pela imprensa escrita, pertencendo aos quadros da revista Valor e colaborando com vários jornais e revistas. Desde 2001 que integra a redacção da RDP – África, uma Estação Radiofónica portuguesa que emite para África lusófona. A atividade literária, porém, não cessa. Publica, de forma regular, prosas e poemas em sites culturais portugueses e brasileiros. Em 2004 é-lhe atribuída a Bolsa de Criação Literária pelo Centro Nacional da Cultura, de Portugal, o que lhe proporciona uma investigação de vários meses junto da comunidade dos “Rabelados”, na Ilha de Santiago, Cabo Verde. Em 2008 publica Admirável Diamante Bruto e Outros Contos (Livro do Dia), é a primeira aventura do autor nos contos, depois da colaboração com os jornais literários brasileiros “Bagatelas” e “Rascunho”.

  
IMPAR


Certezas son anclas de un fuerte querer
razones que me llevan a no seguir por ahí
a seguir distante de todo, ¡cerca de mí!





PODER

poder es no dudar y partir
enfrentar los caminos de la indiferencia
que dibujan los desaliñados y ¡ser!






¡SER!

ser así y de aquí distante
estar aquí sin unanimidad
¡ser singular para no rimar!






¡QUERER!

querer lo imposible realizar
abrazar lo diferente sin miedo
en la presencia entre iguales, ¡ser impar!
África 
Son muchas las dudas que surgen
Al intentar develar tu misterio
Toda la suerte, toda la solución urgen
Pero no llegan al hemisferio Sur

Son muchas razones de tal destino
Pero ninguna capaz de justificar
Toda esta miseria, dolor y desatino
Que muchos insisten en mistificar

Son muchas las voces que claman
Gritos de dolor y angustia silenciados
Desesperos que en tu pecho inflaman
Esperanzas en ritmos acompasados

Son muchas y profundas las dudas
Diversas y vagas las disertaciones
Sobre un futuro vago en certezas
Que arrancan de las almas las ilusiones

Son muchas las riquezas que escondes
En el fondo de tu misteriosa alma
Codicia de reyes, Nobles y Condes
Pero tu gran dolor nadie calma

Son muchas las familias de tu Hogar
Lejos de tu ansiado confort
Contrariados por abandonarte
¡En busca de un extraño puerto!

  






ÍMPAR

Certezas são âncoras de um forte querer
razões que me levam a não seguir por aí
a seguir distante de tudo, perto de mim!





PODER!

poder é não hesitar e partir
enfrentar os trilhos da indiferença
que rotulam os desalinhados e ser!





SER!

ser assim e daqui distante
estar aqui sem unanimidade
ser singular para não rimar!





QUERER!

querer o impossível a realizar
abraçar o diferente sem medo
na presença entre iguais, ser ímpar!






África

São muitas as dúvidas que surgem
Ao tentar desvender o teu mistério
Toda a sorte, toda a solução urgem
Mas não chegam ao Sul hemisfério

São muitas as razões de tal destino
Mas nenhum capaz de justificar
Toda esta miséria, dor e desatino
Que muitos insistem em mistificar

São muitas as vozes que clamam
Gritos de dor e angústia silenciados
Desesperos que no teu peito inflamam
Esperanças em ritmos cadenciados

São muitas e profundas as incertezas
Diversas e vagas as dissertações
Sobre um futuro vago em certezas
Que arrancam das almas as ilusões

São muitas as riquezas que escondes
No fundo desta tua misteriosa alma
Cobiça de Reis, Nobres e Condes
Mas a tua grande dor ninguém acalma

São muitas as famílias do teu Lar
Longe desse teu almejado conforto
Contrariados por assim te abandonar
À busca de um estranho bom porto!

TRADUCCIÓN AL CASTELLANO POR GLADYS MENDÍA





Raiar

Desabrochei nas vésperas do cântico da liberdade
Cresci pueril emaranhado nos ecos de uma epopeia
Acreditando por ser acreditar a grande verdade
Entoei os cânticos de louvor à morte da centopeia

O tempo emprestou-me a tenacidade da dúvida
E do tempo, aliado me fiz e da dúvida a espada
Segui os rastos da vontade de entender tal vida
A realidade vislumbrou-me uma dureza pasmada

Questionei os dogmas para saber mais além
Cruzei saberes e dissabores na alma atormentada
E do além ainda distante, do saber muito aquém...
Exorcizei com versos a tormenta alimentada

No presente, nada mais é do que o não adquirido
Nada mais se disfarça para dúvidas semear
No presente, não mais vago é o caminho escolhido
Ladeando a realidade sim, com o sonho no limiar






Despertar

Ergui a taça do vinho e num só gole
Traguei a essência das palavras, engoli
Gota-a-gota as frases deslizaram-se adentro
Sereno, repudiei as faces carentes de alento

Ergui a voz e soltei as frases dilacerantes
As palavras que ansiavam, escutaram, inertes.
Os gestos imobilizaram-se, olhares húmidos!
Do verbo, deslizei-me então nos gerúndios:

Querendo, lutando, acreditando, negando
Provoquei, invocando o medo sonegado
Dos murmúrios pedi barulho, agitação
Dos olhares vagos se projectaram acção

Ergui o olhar e vislumbrei um céu nubloso
O prenúncio de uma noite no fundo do poço
Invoquei as divindades num parco discurso
E fez-se luz! Escolhemos outro percurso!






Iniciação do Ser

Rasga os pergaminhos
Rompe com os mesquinhos
Inverte esta desordem
Cães ruidosos não mordem

Vento, sopra de avesso
Sem poeira nem arremesso
Todo esse querer é livre
Livre, com garras de tigre

Entoa o tal cântico
Que desafia o mítico
Atravessa o deserto
Vai, destino incerto

Revoluciona o tal verbo
Da palavra, torna-te servo
Do horizonte, fita o futuro
Por fim, salta do muro!






Murmúrios

Dizem que são murmúrios os ecos
que chegam do fundo deste mar
São palavras soltas aos ventos
frases melódicas para somar

Murmúrios que escondem feitiços
segredos e estórias por desmontar
São lamentos de cores mestiços
São sombras desenhadas ao luar

No fundo deste mar o silêncio fala
grita e clama como a força das marés
Não longe essa voz alguém embala
Não longe os ecos se escutam no convês

No fundo deste mar há tormentos
Há vontade de um silêncio romper
Querer e vontade não são lamentos
No fundo, este mar esconde um poder!